04/04/2020
O que é Ciência?
Realmente, sabemos o que é ciência? Etimologicamente, o termo ciência deriva do verbo em latim Scire, que significa aprender, conhecer. Essa definição etimológica, contudo, é insuficiente para distinguir ciência de outras atividades também relacionadas com o aprendizado e o conhecimento (PRODANOV; FREITAS, 2013).
O ser humano, perante a necessidade de entender e dominar o meio, ou o mundo, em seu proveito e da sociedade da qual é integrante, acumula conhecimentos racionais sobre seu meio e sobre as ações capazes de modificá-lo. Essa série constante de acrescentamentos de conhecimentos racionais e mensuráveis da realidade denominamos ciência. Em decorrência da frequente busca da verdade cientifica realizada pelo homem, o avanço da ciência se tornou presente, expandindo, aprofundando, esmiuçando e, algumas vezes, se apossando de conhecimentos anteriores. Desta forma, se pode dizer que a ciência é exata por um tempo delimitado, ou seja, até que ocorram novas transformações, tornando-a assim, falível (FACHIN, 2011).
Um primeiro conceito de ciência diz que ela se identifica com um conjunto de procedimentos que permite a distinção entre aparência e essência dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana. As peculiaridades de seu método diferenciam a ciência das muitas formas de conhecimento humano. E uma de suas particularidades é aceitar que nada é eternamente verdadeiro. O dogma não encontra lugar na ciência. A ciência divide-se inicialmente em lógicas (se subdividem em lógica e matemática) e empíricas (se subdividem em naturais e ciências sociais). A comunidade cientifica de um ramo possui características comuns quanto aos métodos que utiliza para investigar a realidade. (MEDEIROS, 2019).
“A ciência se faz quando o pesquisador aborda os fenômenos aplicando recursos técnicos, seguindo um método e apoiando-se em fundamentos epistemológicos”.
A ciência usa um método particular, o método científico, elemento essencial do processo do conhecimento efetuado pela ciência para distingui-la, não apenas do senso comum, mas também das outras modalidades de expressão da subjetividade humana, como a filosofia, a arte, a religião. Trata-se de uma somatória de procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que possibilitam o acesso às relações causais constantes entre os fenômenos (SEVERINO, 2016, p. 106).
Ao analisar o desenvolvimento histórico da ciência, se verifica que ela concerne em uma busca, uma investigação permanente, e incessante de soluções e explicações para os problemas propostos (FACHIN, 2011).
Índice de Conteúdos
Outros Conceitos de Ciência
Natureza da Ciência
Componentes da Ciência
Características da Ciência
Neutralidade da Ciência
Funções da Ciência
Objetivos da Ciência
Classificação e Divisão da Ciência
Classificação de Comte
Variação da classificação de Comte
Classificação de Carnap
Classificação de Bunge
Classificação de Wundt
Classificação adotada
Ciências Formais e Factuais
Outros Conceitos de Ciência
Segundo Lakatos (2011), entende-se por ciência uma sistematização de conhecimentos, um agrupamento de preposições logicamente relacionadas sobre o comportamento de determinados fenômenos que se pretende estudar.
Ainda segundo o Lakatos (2011, p. 21), diversos autores definiram o que se entende por ciência, de forma incompleta, segue os mais comuns:
“Acumulação de conhecimento sistemáticos”.
“Atividade que se propõe a demonstrar a verdade dos fatos experimentais e suas aplicações práticas”.
“Caracteriza-se pelo conhecimento racional, sistemático, exato, verificável e, por conseguinte, falível”.
“Conhecimento certo do real pelas suas causas”.
“Conhecimento sistemático dos fenômenos da natureza e das leis que o regem, obtido pela investigação, pelo raciocínio e pela experimentação intensiva”.
“Conjunto de enunciados lógica e dedutivamente justificados por outros enunciados”.
“Conjunto orgânico de conclusões certas e gerais, metodicamente demonstradas e relacionadas com o objeto determinado”.
“Corpo de conhecimentos consistindo em percepções, e experiências, fatos certos e seguros”.
“Estudo de problemas solúveis mediante método científico”.
“Forma sistematicamente organizada de pensamento objetivo”.
Para Trujillo (1974, p.8) apud Lakatos (2011, p. 22):
“… a ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido a verificação”.
Enquanto Fachin (2017), define a ciência como “progresso permanente de acúmulo de conhecimentos sobre algo e de ações racionais, sistemáticas, exatas e verificáveis, capazes de transformá-las”.
Natureza da Ciência
A palavra ciência pode ser entendida em dois conceitos:
Latu sensu: contém o significado de “conhecimento”;
Stricto sensu: refere-se a um conhecimento que permite apreender e/ou registrar fatos, os demostrando por suas causas constitutivas ou determinantes.
Quando se fala na natureza da ciência, podem ser apontadas duas dimensões: a compreensiva(contextual ou de conteúdo) e a metodológica (operacional), contendo aspectos lógicos e técnicos. Pode-se definir o aspecto lógico da ciência como o método de raciocínio e de inferência sobre fenômenos já conhecidos ou a serem pesquisados; em outras palavras, pode-se considerar que “o aspecto lógico constitui o método para construção de proposições e enunciados”, objetivando, dessa maneira, uma descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisas (LAKATOS, 2011).
Componentes da Ciência
Objetivo ou finalidade: preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais que regem os eventos;
Função: aperfeiçoamento, através do crescente acervo de conhecimento, da relação do homem com o seu mundo;
Objetos: Pode ser material: aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar, de modo geral, ou formal, o enfoque especial, entre as diversas ciências que possuem o mesmo objeto material.
Características da Ciência
Objetividade– descreve a realidade independentemente dos caprichos do pesquisador;
Racionalidade– obtém seus resultados através da razão e não impressões do pesquisador;
Sistematicidade– preocupa-se em construir sistemas de ideias organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades cada vez mais amplas;
Generalidade– busca elaborar leis ou normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo;
Verificabilidade– possibilita sempre demonstrar a veracidade das informações;
Falibilidade – Ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar (ASSIS, 2009).
Neutralidade da Ciência
A neutralidade cientifica pressupõe que o autor evite ao máximo a subjetividade, ou seja, ele deve manter-se distante de suas emoções durante a construção do conhecimento e precisa evitar o “achismo” para não interferir nos resultados das pesquisas. “É preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de sua formação moral, religiosa, cultural e de sua crença de valores para resultados da pesquisa não sejam influenciados”.
Produzir ciência é um ato possível a todos que buscam explicações para melhor entendimento da realidade empírica; não é privilégio somente de sábios e iluminados. Etimologicamente ciência quer dizer quer dizer racionalidade, objetividade, sistematização de ideias e possibilidade de verificação e demonstração através de informações obtidas no processo de estudo e/ou pesquisa, independentemente do ponto de vista do pesquisador. (OLIVEIRA, 2018).
Funções da Ciência
As funções da ciência são basicamente descrever, explicar e prever os dados que limitam e/ou integram a realidade em estudo, tornando o mundo inteligível mediante interpretações ordenadas do mesmo. A ciência nessa tríplice função vale-se de um instrumento, o método científico, um de seus instrumentos determinantes e importantes para a realização de seus objetivos. (LEÃO, 2017).
Objetivos da Ciência
De acordo com Dencker e Viá (2001) os objetivos sejam básicos ou específicos da ciência são:
Buscar um conhecimento coerente e empiricamente demonstrável, isto é, produzir um conjunto de afirmações sobre um objetivo que sejam mutuamente compatíveis;
É a correspondência entre a afirmação e os fatos. Construir a teoria através das relações entre fatos e afirmações;
Integrar os paradigmas. Obter compatibilidade com o conhecimento existente;
Sistematizar o conhecimento científico;
Gerar novos conhecimentos.
Classificação e Divisão da Ciência
A complexidade e diversidade do universo, assim como dos fenômenos que nele se manifestam, aliadas à necessidade do homem entendimento dos mesmos, levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas as quais precisam de uma classificação, seja de acordo com sua ordem de complexidade, ou de acordo com seu conteúdo: objeto ou temas, diferença de enunciados e metodologia empregada (LAKATOS, 2011).
Classificação de Comte
Uma das primeiras classificações foi estabelecida por Augusto Comte. Para ele, as ciências, se apresentam de acordo com a ordem crescente de complexidade: Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia e Moral. Outros autores utilizaram também o critério da complexidade crescente, originando classificações com pequenas diferenças em relação à Comte.
Variação da classificação de Comte
Variação da classificação de Comte
Alguns autores classificam as ciências segundo um critério misto, utilizando a complexidade crescente, de acordo com o conceito de Comte, aliada ao conteúdo (NÉRICI, 1978, p.113 apud Lakatos, 2011, p.25).
Classificação de Carnap
Quanto à classificação em relação ao conteúdo, podemos citar, inicialmente, a de Rudolf Carnap. Para esse autor, as ciências dividem-se em:
Formais: contêm apenas enunciados analíticos, isto é, cuja verdade depende unicamente do significado de seus termos ou de sua estrutura lógica.
Factuais: além dos enunciados analíticos, contêm sobretudo os sintéticos, aqueles cuja verdade depende não só do significado de seus termos, mas igualmente, dos fatos a que se referem.
Classificação de Bunge
Mario Bunge, partindo da mesma divisão em relação às ciências, apresenta a seguinte classificação (1976, p. 41 apud Lakatos, 2011, p.26):
Classificação de Bunge
Classificação de Wundt
Por sua vez, Wudt indica a seguinte classificação:
Classificação conforme Wundt
Classificação adotada
Das classificações vistas, percebe-se que não há um consenso entre os autores, nem sequer quando se trata da diferença entre ciências e ramos de estudo: o que para alguns é ciência, para outros ainda permanece como ramo de estudo, e vice-versa.
Baseando-se em Bunge, apresentamos a seguinte classificação das ciências:
Classificação e divisão da ciência adotada
Classificação adotada
Ciências Formais e Factuais
A primeira e mais fundamental diferença existente entre as ciências se refere às ciências formais (estudo das ideias) e as ciências factuais (estudo dos fatos). Entre as primeiras, encontram-se a lógica e a matemática, que não tendo relação com algo encontrado na realidade, não pode valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar fórmulas. Por outro lado, a física e a sociologia, sendo ciências factuais, referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em consequência, recorrem à observação e a experimentação para comprovar (ou refutar) suas formulas (hipóteses).
Referências Bibliográficas:
ASSIS, Maria Cristina de. Metodologia do trabalho científico. In: Evangelina Maria B. de Faria; Ana Cristina S. Aldrigue. (Org.). Linguagens: usos e reflexões. 3. Ed. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2009. Disponível em: