13/10/2025
Ronaldo falhou um penalty e até isso me inspirou. É isso o que os génios fazem: inspiram-nos até quando falham. Quando Jordan falhava um lance-livre, quando Ronaldo falha um penalty, quando Woods falhava um buraco fácil, quando Pogacar não vence uma etapa, eu aprendo, até festejo um pouco. Ao falharem, ao não serem sempre infalíveis, normalizam a insuficiência, a incapacidade. Normalizam-me. O erro torna-se mais humano quando extraterrestres destes o cometem. Temos todos tanto medo de errar, p***a. Achamos que se falharmos somos falhados, quando somos apenas pessoas que tentam quer quando acertamos quer quando falhamos. Os génios inspiram sempre, sempre. Quando acertam, e acertam quase sempre, inspiram porque nos levam a sonhar: eu também posso, um dia, rematar assim, encestar assim, pedalar assim; quando não acertam, e não acertam algumas vezes, inspiram porque fazem de nós pessoas como eles, fazem deles pessoas como nós. Os génios são profundamente necessários por isso: tanto servem para nos fazer sonhar como servem para nos fazer pousar. Eu adoro os génios. Aplaudo-os, agradeço-lhes, até quando falham — se calhar, até lhes agradeço mais quando falham. Obrigado, Cristiano.