28/07/2026
Um enorme desafio que os professores do nosso grupo assumem com grande orgulho, dedicação, carinho e um verdadeiro espírito de missão.”
🤗😦
Há números que contam uma história...
Ontem, na Assembleia Geral de aprovação do Relatório e Contas de 2025 da Federação Portuguesa de Aikido, foi apresentado um dado que merece ser assinalado: no final de 2025, 35% dos praticantes federados em Portugal eram crianças e jovens com menos de 18 anos.
Trata-se de um aumento de 9 pontos percentuais face ao ano anterior, um resultado que demonstra o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por muitos professores e clubes em todo o país.
O Projeto Aikido e as Crianças gostaria de assinalar este momento e, acima de tudo, prestar uma sincera homenagem a todos aqueles que, ano após ano, tornam este número possível.
Em especial, a todos os professores que, nos últimos anos, decidiram dar um passo em frente e abraçar uma das missões mais exigentes, mas também mais gratificantes, do Aikido: ensinar crianças.
Ensinar crianças vai muito além de transmitir técnicas. Exige preparação, criatividade, paciência, dedicação, capacidade de motivar, de educar e de acompanhar o crescimento de cada uma delas. Exige acreditar que o Aikido pode ser uma ferramenta de formação humana.
A todos os que aceitaram este desafio, o nosso mais profundo agradecimento.
Permitam-nos agora um pequeno desabafo...
Somos três professores de Aikido que, há muitos anos, dedicam uma parte muito significativa das suas vidas ao ensino de Aikido para crianças. Talvez por isso, nos entristeça perceber que ainda há quem considere que estes números devam ser vistos de forma diferente dos dos adultos, por entender que o percurso das crianças na modalidade é, muitas vezes, menos longo.
Respeitamos essa opinião, mas vemos a realidade de forma muito diferente.
É verdade que o percurso de muitas crianças nem sempre é contínuo. À medida que crescem, surgem a escola, a adolescência, a universidade, outras atividades e novos desafios. Faz parte da vida.
Mas será justo olhar apenas para essa realidade?
Também entre os adultos a continuidade é hoje um desafio cada vez maior. Vivemos numa sociedade em que as pessoas mudam mais facilmente de interesses, de prioridades e de projetos de vida. Cada vez mais adultos iniciam a prática de uma modalidade e, passado algum tempo, interrompem-na ou abandonam-na por motivos profissionais, familiares ou simplesmente porque a vida os levou por outros caminhos.
Por isso, acreditamos que é redutor avaliar o impacto do trabalho desenvolvido com crianças apenas pela duração da sua permanência na modalidade. Se utilizássemos esse mesmo critério para os adultos, chegaríamos inevitavelmente à mesma conclusão.
E mesmo que quiséssemos olhar apenas para os números, eles também são esclarecedores. Dos cerca de 1.200 praticantes federados existentes no final de 2025, cerca de 420 eram crianças e jovens. Sem eles, a Federação teria apenas cerca de 780 praticantes.
Estes números demonstram, por si só, a importância do trabalho desenvolvido junto das novas gerações.
Mas o verdadeiro impacto deste trabalho vai muito além dos números...
Cada criança que passa por um dojo leva consigo muito mais do que técnicas de Aikido. Leva valores, respeito, disciplina, autocontrolo, responsabilidade, espírito de cooperação e uma experiência que contribuirá para a pessoa que será no futuro.
Ao longo dos anos tivemos também a alegria de ver alguns antigos alunos regressarem já adultos. Regressaram porque nunca esqueceram aquilo que viveram quando eram crianças.
E maioria que não regressou continua, ainda assim, a fazer parte da história do Aikido. Falam da modalidade com carinho, recomendam-na a amigos, familiares e, mais tarde, muitas vezes, são os seus próprios filhos que entram pela primeira vez num dojo.
Também essa é uma forma de construir o futuro da nossa modalidade.
É por isso que, quando vemos que mais de um terço dos praticantes federados são crianças e jovens, não vemos apenas um número.
Vemos centenas de crianças a crescer através do Aikido.
Vemos professores que dedicam uma parte importante das suas vidas à educação das novas gerações.
E vemos esperança no futuro do Aikido em Portugal.
Esperamos, sinceramente, que este "número" inspire cada vez mais professores a aceitar este desafio e a descobrir o enorme privilégio que é ensinar crianças.
Porque o futuro do Aikido não se constrói com discursos!
Como já dissemos ao longo deste texto, constrói-se arregaçando as mangas e em cima do tatami.
Não existe outra forma de o fazer!
Alexandre Francisco
Eduardo Duarte
Helder O Rodrigues