09/05/2026
D’Atalaia 3.0 News:
Era uma vez um grupo de quatro amigos — o Nuno Gonçalves, o Paulo Marques, o Pedro Franco e o Meka — que decidiu que precisava de "mexer o corpo".
O plano era simples e infalível: correr 5 km ao fim do dia e terminar no café do bairro para duas imperiais e um pires de tremoços. No início, era pura diversão.
O ritmo era o da conversa, as sapatilhas eram velhas e o objetivo era a celebração final. "Isto é que é vida", diziam, brindando ao "atletismo recreativo". O problema começou quando o Paulo comprou um relógio com GPS.
Na semana seguinte, o Nuno apareceu com uns ténis de fibra de carbono. De repente, as corridas deixaram de ser sobre as novidades do dia e passaram a ser sobre "ritmo médio", "cadência" e "zonas de batimento cardíaco". A cerveja no final começou a ser substituída por discussões tensas sobre quem tinha feito o melhor tempo na subida da igreja.
A amizade deu lugar à competitividade tóxica. O Pedro Franco, que só queria descontrair, foi o primeiro a desistir quando o grupo começou a marcar treinos às 6 da manhã de um domingo. O Paulo e o Nuno entraram numa guerra de "quem corre mais quilómetros por semana" até que ambos acabaram com lesões no joelho e uma azia mútua. Deixaram de se falar e de correr. Um ano depois, o cenário no café mudou. O Nuno, o Paulo e o Pedro estão sentados à mesa, com as suas cervejas, a comentar como "aquilo da corrida era uma moda passageira". Lá fora, passa o Meka. Vai sozinho, num ritmo constante, sem relógio à vista e com um sorriso leve. Ele foi o único que nunca se importou com o pódio do grupo; continuou a correr apenas pelo prazer de sentir o vento no rosto... e porque sabe que, quando chegar a casa, a cerveja no frigorífico sabe muito melhor depois de dez quilómetros de paz.