05/06/2026
GANHAR UMA TAÇA DO MUNDO DE BTT VALE 3.750€: VALORIZAÇÃO OU FALTA DE RESPEITO?
Olhamos para o topo do Mountain Bike mundial e vemos superatletas. Vemos ciclistas que levam o corpo ao limite absoluto, que dominam descidas vertiginosas à velocidade da luz e que treinam com o rigor de um piloto de Fórmula
1. Mas sabias quanto paga a UCI ao vencedor de uma prova da Taça do Mundo de XCO ou Downhill? 3.750 euros!
Para quem está de fora, pode parecer algum dinheiro por uma hora e meia de esforço. Para quem conhece a realidade do desporto, é uma miséria que expõe uma ferida antiga: o BTT continua a ser o "parente pobre" do ciclismo de alta competição no que toca a prémios diretos.
Se saltarmos para o Ciclocross, o vencedor de uma manga arrecada cerca de 5.000€ (com prémios distribuídos até ao 40.º classificado). Se formos para a Estrada, vencer uma grande clássica do WorldTour pode render entre 16.000€ a 20.000€. E a disparidade no BTT piora drasticamente a partir do momento em que descemos na tabela: o 10.º classificado numa Taça do Mundo de BTT leva para casa uns simbólicos 200€... que mal pagam os géis e os pneus da corrida.
"Então, os atletas de elite passam fome?"
Não. Felizmente, os atletas de topo (os "fora de série") vivem muito bem. Mas vivem dos salários das suas equipas de fábrica (Specialized, Trek, Scott, Cannondale), dos patrocínios pessoais e, acima de tudo, de bónus contratuais agressivos por objetivos.
A UCI paga 3.750€, mas a marca pode pagar 20.000€ de bónus pela vitória.
O verdadeiro drama está no "meio do pelotão"
O grande problema desta estrutura de prémios não são os que sobem ao pódio. São os atletas e equipas privadas que andam consistentemente entre o 10.º e o 30.º lugar. Estes ciclistas — que são uma elite mundial — pagam do próprio bolso (ou de pequenos patrocínios locais) viagens transatlânticas, estadias, mecânicos e inscrições. Para eles, o retorno financeiro direto das corridas é nulo. O esforço é gigante, o retorno da federação internacional é ridículo.
A entrada da Warner Bros. Discovery na gestão da Taça do Mundo prometia profissionalizar e injetar dinheiro no circuito.
No entanto, as equipas continuam a queixar-se de que as exigências logísticas e os custos aumentaram, mas a valorização dos atletas na folha de prémios ficou esquecida.
O btt é um dos desportos mais espetaculares, técnicos e duros do planeta.
Merece respeito, merece visibilidade e, acima de tudo, merece uma estrutura de prémios que valorize quem realmente faz o espetáculo acontecer: os atletas.
🔗 Artigo original e fonte:
La Copa del Mundo de MTB sigue ofreciendo premios en metálico muy bajos para el nivel de exigencia actual. Ganar una prueba élite de XCO o DH supone cobrar 3.750 €, mientras que un top 10 júnior de DH se paga con solo 20 €.