21/05/2026
"MAMBINHAS" SUB-17 COM O MUNDIAL À PORTA
"MALAS CARREGADAS DE ESPERANÇA"
Saídos de Moçambique com as malas "cheias de nada". Carregadas de vazio, e sem que ninguém desse por eles.
Do Aeroporto Internacional de Mavalane lá se foram, com pouca honra e sem ninguém que preenchesse parte daquele "vazio" na bagagem, com uma palavra de conforto ou de esperança.
Mas, também para quê?!
Se nas nossas mentes, só viajava um grupo de garotos que gosta de se divertir chutando a bola para frente. E, que por engano se qualificou a um CAN para onde só ia para cumprir calendário e distribuir pontos.
Afinal de contas pertencem à um país sem hitórico na competição (2 participações), e com o agravante de intramuros não terem um modelo competitivo decente para a formação.
Com estes estereótipos impregnados, pela "porta dos fundos" lá embarcaram até Rabat (Marrocos) onde está sediada a nossa jovem Selecção.
E como o "mau olhado moderno" também voa e viaja descarregando azar, os meninos ainda perderam por números gordos em todos os seus três jogos da pré-competição. Tudo isto para agudizar a descrença já instalada sobre eles.
Um ditado foi também modificado. Do "não há duas sem três" , lançamos um " não há três sem quatro" e perdemos também no nosso jogo de estreia, logo, com o adversário tido teorica e historicamente como o menos cotado e favorito do grupo.
Aí, já tratamos logo de marcar e confirmar na agência de viagem a data e hora de regresso para a pátria amada. Logo após os jogos da fase de grupos. Era a previsão.
Até porque os nossos próximos adversários eram o Mali (2 titulos) e nosso irmão e rival Angola (medalha de bronze), e todos já Mundialistas na categoria.
Uma vez mais equivocados.
Transfigurados, partiram para dois resultados e exibições (mais no segundo) que os colocam à uma vitória do Mundial. Quem diria!
Despertaram o nosso olhar. A nossa atenção, e encheram-nos de orgulho tal e qual enchem hoje suas bagagens de "Esperança Mundial".
A vitória sobre Angola e presença no Playoff, não é de garotos que se declaram maiores, muito menos melhores. Não.
Nem são vitórias do esquecimento do que lhes apoquenta. Possivelmente mais de lembrança.
Uma espécie de grito de revolta, ou de socorro.
De meninos que clamam por mais atenção.
Que se negam a ser, tal e qual os outros no passado, que viram seu enorme potencial ficar por isso mesmo e seus sonhos se perderem.
Eles, que nem pedem muito. Apenas, que se lhes permita manter o sonho.
Sonhos só realizáveis com melhores condições de preparo e potenciação (campos para treino e jogos) e acima de tudo com campeonatos e seus modelos melhores estruturados.
Os Diegos, Nhampules, Allan,Chausson, Júlio, Pacane, e os outros, não querem nada. Só querem ser permitidos a sonhar e a seguir as peugadas dos Eusébio, Coluna, Dário Monteiro, Chiquinho Conde, Tico Tico e Dominguês desta vida.
E é nossa obrigação proporcionar-lhes.
Estes. Independentemente do que suceda no Playoff diante da Etiópia, já são Vencedores.
"Habemus Futuro" e o outrora impossível está a uma vitória.