23/04/2025
Luto Riobranquense 😥
O Eder entrou em contato.
- "Claudio, você não poder dar um livro seu para um grande riobraquense?"
Foi algo assim que ele falou. Ou escreveu. Não lembro.
O almanaque seria distribuído de graça na biblioteca, mas acabou rapidamente.
O "grande riobranquense" não tinha conseguido um.
Isso tem uns cinco anos já.
Eu já conhecia o Adilson Valle, o Maguila.
E tinha inveja dele, confesso.
Viveu intensamente na arquibancada os anos 80 do Rio Branco.
É o período que eu mais gosto, mas não estava lá, na arquibancada.
Ele sim, desde o jogo da volta, em 1979.
Tinha inveja dele também pela memória.
Escalava o time de 1981 com uma rapidez impressionante.
Derretia-se em elogios ao Raimundinho, seu ídolo.
Contava das caravanas dos anos 80.
Dos perrengues em estádio pelo interior.
Porque tinha vivido tudo aquilo intensamente.
E viveu intensamente o Rio Branco nos últimos 46 anos.
Na boa fase e na má fase, lá estava o Maguila em um pedaço de cimento da arquibancada do DV, em um ônibus indo para algum canto do estado de São Paulo.
- "Lógico, Eder", respondi algo assim.
Ele se ofereceu para pegar o livro, mas eu disse que levava pessoalmente.
Ali perto do Décio Vitta.
Fui até lá e o Maguila tava me esperando na frente da casa dele.
Ele me agradeceu, apertou o livro no peito e chorou.
Hoje, é a gente que chora.
Eu choro, escrevendo essas linhas.
Maguila sofreu um infarto. Tinha os mesmos 59 anos que o Peixe tinha quando partiu no ano passado.
Os dois únicos que viveram o clube intensamente desde a volta ao futebol, em 1979, até o último dia de suas vidas.
Um lá dentro, outro na arquibancada.
Saiba, Maguila, que a gente aqui da arquibancada não vai esquecer desse "grande riobranquense".