25/04/2019
(texto republicado, com inserções históricas)
Presidente fala sobre os 100 anos do Jacaré
Somos o time da cidade. Levamos o nome da cidade. São 100 anos de glórias, vitórias e eventualmente alguns insucessos. 100 anos não são 100 dias, 100 meses. É uma eternidade. Como conselheiro há 47 anos e sangue verde já na barriga de minha mãe, liderei no final de 2014, ao lado de outros seis grandes companheiros a maior mudança na recente história do nosso eterno Rio Preto Esporte Clube. Salvamos o clube e seu patrimônio de uma obscura, camuflada e pré-contratada venda de nosso estádio, com a promessa de construção de uma nova casa, um novo estádio, em Bady Bassitt, pura fumaça. Sem falsa modéstia, não fosse a minha pronta intervenção saneadora, ao lado de Nelson Caires, Sidney Oliva, Shirtes Pereira, Guimarães Ortega, Fábio Renato e do grande Riopretense, protagonista maior dessa grande mudança, Itamar Rubens Malvezzi, presidente do Conselho Deliberativo, juntos evitamos a continuidade e perenidade no poder e a eternização, daquele que nefastamente ocupou esse cargo por 33 longos e tenebrosos anos. Não fosse essa intervenção saneadora certamente não estaríamos hoje comemorando os 100 anos de vida, de existência. Já teríamos deixado de existir. Por isso, é hora de comemorar.
Reconhecimento importante, também, do Grupo dos 7, é que tivemos o apoio fundamental de grandes companheiros que se associaram a esse espírito de mudança. Preocupados com o rumo que o clube estava tomando. São eles: Sebastião Dias Filho, Dimas Fernandes, João Gil, Felipe Rosa Neto, Luiz Canizza, Denilson Lugui, Márcio Haddad, Ulisses Jamil Cury, José Luiz Franzotti, Márcio Marcassa Jr. e outros notáveis grandes companheiros, que ao lado do nosso presidente de honra, Gumercindo de Seta, de Júnior Badan, Marco Feitosa, Gustavo Escobar, Basilides Basso , Eduardo Nicolau e de vários rio-pretenses autênticos, propiciaram a maior limpeza da existência desse clube. Foi uma verdadeira faxina moral feita no Rio Preto Esporte Clube.
Por isso, nessa fase de nossa vida clubista, temos que comemorar esse acontecimento grandioso. Cuja histórica ocorrência se assemelha a outros grandes desafios da história. Como a doação da área do Fortim da Vila, feita pelo benemérito Victor Britto Bastos. Os dois incêndios devastadores em nossas sedes e os seus recomeços. A aceitação dos herdeiros de Victor Bastos para que a área do Fortim fosse vendida e o dinheiro utilizado na compra da nova área, onde se localiza hoje o gigante de cimento armado Anísio Haddad. Precisamos destacar a passagem exitosa em nosso clube de grandes gestores, como Raul Silva, Euphly Jalles, José Roberto Canizza, Ulisses Cury, o grande Anísio Haddad, Reinaldo Navarro da Cruz, Florindo Mani, Farid Maluf, entre outros.
Ainda precisamos destacar a bravura da família Cannizza em manter durante décadas a custo de muita força, dedicação e amor a sobrevivência do Glorioso. A colaboração importante de famílias tradicionais na construção de arquibancadas e melhorias no estádio Victor Britto Bastos (o Fortim da Vila), família Carvalho, Gouveia Neto, entre outras. José Eduardo, na barriga da mãe, depois foi um dos fundadores da T.U.R.P (Torcida Uniformizada do Rio Preto EC). Destaca-se também a construção de nosso estádio sem qualquer ajuda do poder público, máquinas e homens/hora pertencentes a EFA foram pagos pelo clube. Tendo o clube generosamente cedido toda a terra retirada na terraplanagem para aterrar o rio Borá.
Com projeto de Perci Gandini e Romeu Patriani, tivemos grandes companheiros acompanhando e supervisionando a construção do então Riopretão. Waldir Perissini, Forjalico Nazar, Farid Maluf, José Roberto Cannizza.
A recuperação de oito imóveis do clube foi uma conquista do Grupo dos 7 e de outros conselheiros, pois nebulosa negociação via aditivo no contrato original do ex-presidente cedia seis apartamentos a preço de R$ 180 mil cada um para amortizar 50% na divida de R$ 3 milhões com o empresário Marco Antonio Santos. Por óbvio, f**aríamos dessa forma sem nenhum apartamento, sem a área e ainda devendo quase R$ 400 mil. Com o impeachment do ex-presidente a negociação foi refeita e a construtora Rio Mauá arcou com o pagamento integrante dos R$ 3 milhões da divida com Marco Antonio e o combativo Grupo dos 7 obteve a reversão do negócio, f**ando então o clube com oito imóveis. Registrado nos anais da história, o ex-presidente anunciou na época a obtenção na negociação de 15, depois 12, 10, e depois seis apartamentos. Tudo isso registrado pela imprensa local. Conquista memorável de preservação do patrimônio do clube. Modéstia a parte, comandada por mim e com ajuda dos meus companheiros.
Entre as alegrias e glórias temos que anotar as conquistas do futebol feminino, que após a retomada do clube passou a vencer vários campeonatos, entre estadual e nacional, com diversas conquistas. A parceria do clube com a família Reguera produziu grandes fruto, alegria e excelente divulgação ao clube.
Tristezas e insucessos
Após esses grandes dirigentes e tantos outros, ocorreu uma lacuna de 30 % da nossa história. Foram 33 anos de escuridão. De desmandos, de corrupção, de perda de patrimônio, como foi o caso do nosso clube de campo, de negociatas obscuras, de desmoralização do nosso clube perante fornecedores, patrocinadores, torcida e população em geral
Tristeza imensa a promessa não cumprida pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, em 1973, de que o campeão do torneio de acesso disputaria a Divisão Especial. O Glorioso campeão viu o sonho ser frustrado por manobras que possibilitaram os grandes clubes disputarem entre si o torneio Laudo Natel .
Outro desastre na vida do clube foram shows contratados que destruíram o estádio, incluindo-se o último Festeja, fruto de soberba e vaidade de dirigentes que sem aprovação e autorização do Conselho Deliberativo contrataram sem medir consequências, evento que destruiu o estádio e custou o rebaixamento do clube para a Série A-3. Houve na ocasião uma mudança de foco administrativo. O clube luta até hoje na Justiça para ser ressarcido dos grandes prejuízos que teve.
Outro grande insucesso em nossa história se deve a cobiça e ganância que possibilitou a “entrega” do clube de campo, área que hoje vale milhões, milhões, em leilão onde o clube deixou de parcelar o débito com o INSS, perdeu prazos nos processos e literalmente jogou contra a própria instituição. A área que Anísio Haddad havia doado ao clube e com sua morte o clube pagou aos herdeiros do espólio.
Tristeza imensa foi encontrar em novembro de 2014 o estádio destruído, vandalizado, sucateado, clube afogado em dívidas de mais de R$ 10 milhões com fornecedores, ações cíveis e trabalhista. continuamos quatro anos depois acertando contas, pagando dívidas, organizando e saneando o clube.
Nova fase no Glorioso
Temos muito o que comemorar, nesses 100 anos. O Rio Preto Esporte Clube, hoje, é dirigido por pessoas decentes. Que não vivem do clube, Mas para o clube. Estão trabalhando firmemente. Eu, como ferramenta e instrumento desses companheiros, trabalho para valorizar e incrementar esse patrimônio invejável. O Rio Preto é um dos poucos a ter estádio próprio, com capacidade para mais de 25 mil torcedores. É um notório formador de talentos. E essa será a marca dessa gestão. Saneamento das finanças, organização e estruturação da gestão administrativa do clube, e investimentos no futebol da base.
Desenvolvendo aquilo que há de melhor, aquilo que existe mais confortável para os torcedores. Implantamos a TV Jacaré, com históricas transmissões, a sala de imprensa já está finalizada e inauguraremos nesse ano, as reformas estruturais nas partes construtivas do estádio, como banheiros, tribunas, camarotes, cadeiras, reformas no sistema de iluminação e drenagem e irrigação. O nosso centro de treinamento, uma verdadeira marca de uma administração séria e comprometida. Alojamentos da base e do profissional reformados, a parceria com a universidade Unirp. A parceria com grandes patrocinadores, especialmente com o tradicional banco Sicoob que abrilhanta nosso uniforme com sua marca. Esse mesmo manto que é abrilhantado por outras grandes empresas, que acreditam nessa administração, que acreditam que é possível sim, para fazer futebol com honestidade, com decência e transparência. A equipe continua disputando suas divisões de base. Estamos investindo na base, no Sub-1 5, Sub-17 e Sub-20. Já tivemos parceria também com o futebol feminino premiado no país, mas devido seu alto custo se tornou inviável.
O nosso Shoping Iboruna está sendo reformado e com planos para ser ampliado. A nossa parceria com esse gigante ao fundo do estádio, que é a academia, o poliesportivo todo reformado e em funcionamento. A construção de prédios de apartamentos em área que era subutilizada, que dá ao clube uma garantia, plenitude e autossuficiência financeira. Portanto, o Rio Preto, hoje, tem muito o que comemorar com a sua diretoria, conselheiros, e sua legião de torcedores. No Rio Preto de hoje, as coisas são diferentes do passado negro, do qual restou pesada herança.
Hoje, o Rio Preto tem certif**ados positivos de registros fiscais, certidões negativas de débitos fiscais, e pratica uma gestão saneadora. No balanço do clube, sem computar parcerias recentes, o patrimônio do clube chega perto de R$ 1 bi. Salvamos o clube. Resgatamos o clube. E estamos nos preparando para grandes desafios que se aproximam. E a mudança no nosso estatuto foi providencial. Somente o Rio Preto e mais dois times no Brasil possuem o estatuto que prevê que o mandato da presidência tenha a duração de 2 anos. Com a possibilidade de só uma reeleição por mais dois. Isso é para evitar a perenidade de pessoas no poder. O revezamento no poder é positivo. Revezam-se idéias, revezam-se métodos de gestão, visões administrativas. E dessa forma, dois anos é o tempo suficiente para que cada companheiro deixar sua marca, suas iniciativas e estilo administrativo, movidos principalmente por uma visão de futuro.
E neste ano, também vamos realizar algumas ações de comemoração dos 100 anos. Além do saneamento das dívidas, dos pagamentos honrados, lançaremos o Livro dos 100 anos, escrito por esse grande torcedor, José Luiz Rey, já em fase de finalização. Relançamos o jornal O Glorioso, através do jornalista Henrique Fernandes e Carlos Petrocilo, com fotos de Guilherme Baffi. O jornal está sendo distribuído na cidade. Vamos ter a corrida do centenário, que está sendo programada. Teremos um grande evento, um jantar, com notável presença de músico ou cantora nacional. E neste jantar pretendemos fazer a entrega para os notáveis beneméritos, de uma homenagem singela, que é o nosso jacaré prateado.
Sendo assim, nesta data tão signif**ativa, as mais sinceras e comovidas homenagens ao eterno amor de minha vida : salve , salve o Rio Preto E.C.
José Eduardo Rodrigues, presidente