27/04/2015
LENDAS E MITOS DE OSÓRIO - O Tesouro do Pirata Sezefredo dos Santos Godoi
Contam que ele era mau como todos os piratas supõem-se ser.
Tinha um galeão majestoso e, com ele, costeava as areias da orla sulina, desde a barra do rio Mampituba, o “pai do frio”, até a saída do Rio da Prata.
Espreitava, espreitava e, quando valia a pena, atacava.
Sua nau era tripulada por escravos negros encarregados de abarrotar o navio com braças de ouro saqueado de cargueiros que transportavam a riqueza americana para o outro lado do Atlântico. Porém, certo, dia, nem mesmo o arrogante pirata pode resistir à traiçoeira Barra do Taramandi, ou Taramandabum, como era chamado o Rio Tramandaí nos tempos em que o potente galeão sucumbiu a um miserável banco de areia.
Vendo-se ali preso, Sezefredo deu ordem a seus subordinados:
– Que todo o ouro seja transportado para a praia e dali para aqueles montes altos que se avistam a oito léguas da costa!
E, assim, o ouro foi carregado nos ombros dos negros que transpuseram banhados, contornaram lagoas e subiram encostas para enterrá-lo à beira de uma vertente, no meio do mato, em local avistado pelo comandante desde a praia para que do mar pudesse controlar sua riqueza.
Antes do último metro de terra encobrir o tesouro depositado em vala funda, o pirata ordenou a dois negros que disparassem todo o chumbo de suas armas contra os companheiros e jogassem seus corpos no buraco. Feito isto, o próprio comandante deu cabo dos dois matadores, enterrando-os junto aos demais.
E dali se foi, o pirata Sezefredo.
Contam que seu barco foi engolido por uma ventania, capturado pelos espanhóis ou incendiado pelos portugueses. O fato é que Sezefredo nunca mais voltou.
Contam, também, que o mapa do tesouro foi preservado e que o segredo do pirata correu de boca em boca, de mão em mão e que, até hoje, muitos o procuram nas encostas do Morro da Borússia.
O motivo de não o terem encontrado, ainda, é justo: a quem se aproxima da vertente onde está enterrado o tesouro, urros lamentosos se elevam, uma ventania se arma, os cabelos se eriçam e as pernas dos ambiciosos se põem a correr.
São os escravos que, enterrados pelo seu senhor, guardam, até hoje, as riquezas do pirata Sezefredo dos Santos Godói.
Texto: Maria Helena Bernardes
Agradecimento: Roberto e Suzana Guatimozim, moradores do Morro da Borússia, por compartilharem a lenda.
Fonte: http://observatorioborussia.org.br/projeto/index.php/lendas
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