23/07/2013
1996, terça-feira, 12:30 - Saída do colégio. Após ser empurrado por dois valentões, cai no chão, na frente de todos, senti uma raiva que transcendia a minha compreensão, a vontade era voar no pescoço dos dois e mata-los ... mas tinha medo, vergonha, falta de auto estima. Levantei com os olhos transbordando lágrimas e sai correndo dos risos da multidão. Chorei, mas chorei muito, não parava de chorar. Não aguentava mais aquela perseguição. Pensava - Por que eu? O que eu fiz? ... No caminho de casa, reparei em uma pequena porta vermelha com uma faixa escrito "DEFESA PESSOAL - JIU-JITSU", e uma escadaria que levava para a sobre loja. Quando de súbito, desceram dois muleques da minha idade, um perseguindo o outro. No meio da descida, o que vinha atrás, pegou o primeiro em um estrangulamento e imobilizou-o. Aquela cena me deixou perplexo. Afinal o que aplicou o famigerado golpe era bem menor, mas mesmo assim, o sub-julgou. Os dois vendo que eu estava ali no pé da escada observando a cena, me chamaram para conhecer a academia. Fiquei meio reticente, mas eles explicaram que só estava brincando. Chegando lá em cima, havia um grande tatame de pano encardido, com cerca de 12 caras da minha idade usando kimonos brancos, se aquecendo para o inicio do treino. Quando o sensei aparece, de pronto, todos correram para cumprimenta-lo. Fiquei de canto analisando a cena, e foi quando o sensei veio me cumprimentar e perguntou se eu queria treinar. Hesitei um pouco, falei que não tinha kimono, e de pronto ele me aparece com um jaleco branco, dizendo que poderia treinar com a calça da escola mesmo ... Assim começou o INÍCIO DO FIM DO MARTÍRIO QUE SOFRI DURANTE MUITOS ANOS NA ESCOLA.