04/06/2026
A Baixa Performance Associada à Imaturidade Emocional em Atletas da Base do Vôlei©
Pesquisa elaborada para estudo pessoal Prof RobertoDeOliveira
Junho de 2026
Você já parou para refletir sobre por que alguns atletas de vôlei, apesar de possuírem técnica impecável e condicionamento físico exemplar, fracassam nos momentos decisivos de uma partida? A resposta pode estar bem mais próxima do que se imagina: na imaturidade emocional. Esta pesquisa foi desenvolvida a partir de uma extensa revisão teórica e análise crítica, revelando como a capacidade de regulagem emocional determina, em grande medida, o sucesso ou o fracasso de jovens atletas nas categorias de base do vôlei. Os dados são contundentes: a imaturidade emocional está diretamente correlacionada à baixa performance esportiva, ao aumento da ansiedade competitiva e à dificuldade de tomada de decisão sob pressão. Para gestores, diretores de recursos humanos e tomadores de decisão em organizações esportivas públicas e privadas, compreender essa relação não é apenas um diferencial estratégico, mas uma necessidade imperativa para a formação integral de atletas e para a maximização do retorno sobre investimentos em programas de base. Palestras e treinamentos especializados em desenvolvimento socioemocional aplicados ao contexto esportivo podem transformar resultados, reduzir índices de abandono e cultivar atletas resilientes e mentalmente preparados para os desafios do alto rendimento. Convidamos você a aprofundar-se neste estudo e descobrir como a inteligência emocional pode ser o fator determinante entre um bom atleta e um campeão.
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Resumo
O presente estudo investiga a relação entre imaturidade emocional e baixa performance em atletas das categorias de base do vôlei, adotando uma abordagem teórica-exploratória fundamentada em extensa revisão bibliográf**a. O contexto atual do esporte de alto rendimento evidencia uma crescente pressão sobre jovens atletas, que, embora dotados de habilidades técnicas e físicas notáveis, frequentemente apresentam dificuldades de regulagem emocional que comprometem seu desempenho competitivo. O objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar como a imaturidade emocional influencia a performance esportiva de atletas juvenis de vôlei, enquanto os objetivos específicos abrangem: (i) identif**ar os componentes da maturidade emocional mais relevantes para o desempenho esportivo; (ii) examinar os mecanismos neuropsicológicos subjacentes à regulagem emocional no contexto esportivo; (iii) analisar as estratégias de coping mais ef**azes para atletas jovens; e (iv) propor intervenções práticas para o desenvolvimento socioemocional nas categorias de base. A metodologia fundamenta-se em revisão sistemática da literatura científ**a indexada em bases como PubMed, Scielo, Springer, Elsevier e Google Scholar, privilegiando estudos dos últimos dez anos, complementados por referenciais teóricos clássicos. Os principais achados indicam que a inteligência emocional, compreendida como a capacidade de monitorar os próprios sentimentos e os dos outros, discriminar entre eles e utilizar essas informações para guiar o pensamento e as ações, constitui preditor signif**ativo da performance esportiva. Adicionalmente, a supressão expressiva de emoções e a dificuldade de reavaliação cognitiva emergem como fatores de risco para a saúde mental e o desempenho de jovens atletas de elite. A prática do vôlei, por sua natureza coletiva e dinâmica, oferece um ambiente propício ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, contudo, a ausência de programas estruturados de intervenção psicológica perpetua lacunas signif**ativas na formação integral dos atletas. Conclui-se que a integração de estratégias de desenvolvimento emocional aos programas de treinamento técnico-tático é imperativa para a sustentabilidade das carreiras esportivas e para a promoção do bem-estar psicológico dos jovens atletas.
Palavras-chave: imaturidade emocional. performance esportiva. vôlei de base. inteligência emocional. regulagem emocional. saúde mental no esporte.
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1. Introdução
O cenário contemporâneo do esporte de alto rendimento tem testemunhado transformações profundas quanto à compreensão dos fatores determinantes da performance esportiva. Tradicionalmente, a excelência atlética era atribuída quase que exclusivamente aos domínios técnico, tático e físico. Entretanto, pesquisas recentes vêm consolidando a premissa de que os componentes psicológicos e emocionais desempenham papel igualmente decisivo, senão preponderante, na determinação do sucesso ou fracasso de um atleta em contextos competitivos. Nesse panorama, a imaturidade emocional emerge como variável de interesse crescente, particularmente quando se analisam atletas das categorias de base, cuja formação neuropsicológica ainda está em desenvolvimento e cujas estruturas cerebrais responsáveis pela tomada de decisão e regulagem emocional não alcançaram ainda sua maturidade plena.
O vôlei, enquanto modalidade esportiva de natureza coletiva, caracteriza-se por demandas cognitivas e emocionais singulares. A dinâmica do jogo exige decisões quase instantâneas, comunicação constante entre os membros da equipe, adaptação rápida às estratégias adversárias e manutenção do foco atencional mesmo diante de erros sucessivos ou de situações de pressão extrema. Nesse contexto, a capacidade de reconhecer, compreender e regular as próprias emoções, bem como perceber e responder adequadamente às emoções dos companheiros de equipe, adversários, árbitros e torcida, configura-se como competência essencial para o desempenho ótimo. Laborde, Dosseville e Allen, em revisão sistemática publicada no Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, demonstraram que a inteligência emocional no contexto esportivo relaciona-se diretamente às emoções, às respostas fisiológicas de estresse, ao uso bem-sucedido de habilidades psicológicas e a uma performance atlética mais exitosa, embora também tenham identif**ado achados contraditórios que demandam investigações adicionais (Laborde, Dosseville e Allen, 2016).
A adolescência, período em que se situam a maioria dos atletas das categorias de base do vôlei, constitui fase crítica do desenvolvimento neurobiológico. Durante esse período, o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelas funções executivas, planejamento, controle inibitório e regulagem emocional, ainda está em processo de amadurecimento. Paralelamente, o sistema límbico, particularmente a amígdala, que medeia as respostas emocionais e de recompensa, já se encontra bastante desenvolvido, gerando um desequilíbrio neurobiológico característico dessa fase do desenvolvimento. Esse descompasso neuroanatômico explica, em parte, a tendência dos adolescentes a reagirem de maneira mais impulsiva e emocionalmente intensa diante de estímulos estressores, o que, no contexto esportivo competitivo, pode se traduzir em decisões precipitadas, dificuldade de concentração e queda de rendimento em momentos decisivos.
O problema de pesquisa que orienta o presente estudo pode ser formulado da seguinte maneira: de que forma a imaturidade emocional influencia a performance esportiva de atletas das categorias de base do vôlei e quais intervenções podem ser propostas para mitigar seus efeitos negativos? A investigação desse fenômeno justif**a-se tanto pelo vazio teórico existente na literatura brasileira quanto pela urgência prática de desenvolver programas de formação integral que contemplem o desenvolvimento socioemocional dos jovens atletas, evitando o abandono precoce do esporte e maximizando o potencial de cada indivíduo.
O objetivo geral deste artigo consiste em analisar a relação entre imaturidade emocional e baixa performance em atletas juvenis de vôlei, examinando os mecanismos neuropsicológicos subjacentes e propondo estratégias de intervenção fundamentadas em evidências científ**as. Os objetivos específicos compreendem: identif**ar os componentes da maturidade emocional mais relevantes para o desempenho esportivo no vôlei de base; examinar os mecanismos neuropsicológicos e neuroperceptivos envolvidos na regulagem emocional de adolescentes atletas; analisar as estratégias de coping mais ef**azes para jovens atletas em situações de pressão competitiva; e propor intervenções práticas para o desenvolvimento socioemocional integrado aos programas de treinamento técnico-tático.
A justif**ativa teórica do estudo fundamenta-se na crescente produção acadêmica que evidencia a centralidade dos fatores psicológicos na determinação da performance esportiva. Meyer e Fletcher, em artigo publicado no Journal of Applied Sport Psychology, ofereceram uma revisão teórica abrangente sobre a inteligência emocional no esporte, argumentando que os atletas precisam desenvolver crenças metaemocionais sobre como suas emoções influenciam a performance, reconhecendo seus próprios estados emocionais ideais e controlando seu nível de energia para alcançar o desempenho ótimo (Meyer e Fletcher, 2007). Do ponto de vista prático, a compreensão dessa relação permite que gestores esportivos, treinadores e profissionais de psicologia do esporte desenvolvam programas de intervenção mais ef**azes, personalizados às necessidades específ**as dos atletas juvenis de vôlei, promovendo não apenas melhores resultados competitivos, mas também o bem-estar psicológico e a sustentabilidade das carreiras esportivas.
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2. Desenvolvimento
2.1 Fundamentação Teórica da Inteligência Emocional no Contexto Esportivo
O conceito de inteligência emocional, em inglês emotional intelligence, remonta ao ano de 1985, quando Wayne Leon Payne utilizou o termo em sua dissertação de doutorado intitulada A Study of Emotion: Developing Emotional Intelligence; Self-Integration; Relating to Fear, Pain and Desire. Contudo, foi a partir do artigo seminal publicado em 1990 pelos psicólogos Peter Salovey e John Mayer no periódico Imagination, Cognition, and Personality que o constructo ganhou fundamentação científ**a robusta. Os autores definiram a inteligência emocional como a capacidade de monitorar os próprios sentimentos e os dos outros, discriminar entre eles e utilizar essas informações para guiar o pensamento e as ações, estabelecendo assim as bases teóricas para décadas de pesquisa subsequente (Salovey e Mayer, 1990). Posteriormente, Daniel Goleman popularizou o conceito em sua obra Emotional Intelligence: Why It Can Matter More Than IQ, de 1995, ampliando consideravelmente o alcance do tema para além dos círculos acadêmicos e inserindo-o no debate público sobre educação, liderança e desenvolvimento humano.
No contexto esportivo, a inteligência emocional tem sido investigada sob múltiplas perspectivas teóricas. Laborde, Mosley e colaboradores, em capítulo publicado na obra Emotional Intelligence in Education, da série The Springer Series on Human Exceptionality, propuseram um modelo tripartite que concebe a inteligência emocional como operando em três níveis distintos: conhecimento, habilidade e traço, predizendo uma interação entre os diferentes níveis que pode orientar tanto a pesquisa aplicada quanto a prática profissional (Laborde, Mosley et al., 2018). O nível de conhecimento refere-se à compreensão teórica sobre emoções, suas causas, manifestações e consequências. O nível de habilidade diz respeito à capacidade operacional de aplicar técnicas de regulagem emocional em situações concretas. O nível de traço, por sua vez, relaciona-se às disposições temperamentais e às tendências comportamentais estáveis do indivíduo ao longo do tempo e em diferentes contextos.
A relevância da inteligência emocional para a performance esportiva fundamenta-se em diversos mecanismos interconectados. Primeiramente, atletas com elevada inteligência emocional demonstram maior capacidade de reconhecer e rotular suas emoções, o que constitui pré-requisito para qualquer intervenção de regulagem. Em segundo lugar, esses atletas são mais habilidosos na utilização de estratégias de reavaliação cognitiva, técnica que consiste em reinterpretar o signif**ado de uma situação estressora de maneira mais adaptativa, reduzindo assim sua carga emocional negativa. Em terceiro lugar, a inteligência emocional facilita a comunicação interpessoal ef**az, elemento crucial em esportes coletivos como o vôlei, onde a coordenação entre os membros da equipe depende, em grande medida, da capacidade de perceber e responder às emoções dos companheiros.
Laborde e colaboradores, em revisão sistemática publicada em 2016, analisaram trinta e seis estudos que investigaram a inteligência emocional em contexto esportivo ou de atividade física. Os achados indicaram que, no contexto da performance esportiva, a inteligência emocional relaciona-se às emoções, às respostas fisiológicas de estresse, ao uso bem-sucedido de habilidades psicológicas e a uma performance atlética mais exitosa. No contexto da atividade física em geral, o traço de inteligência emocional relacionou-se aos níveis de atividade física e a atitudes positivas em relação à prática corporal. Os autores também identif**aram escassez de pesquisas envolvendo amostras não adultas, métodos longitudinais e experimentais, bem como a necessidade de investigações sobre a inteligência emocional de treinadores, árbitros e espectadores (Laborde, Dosseville e Allen, 2016).
A influência da inteligência emocional sobre a performance esportiva tem sido corroborada por estudos em diversas modalidades. Crombie, Lombard e Noakes, investigando atletas de críquete na África do Sul, encontraram correlação positiva entre a inteligência emocional média da equipe e a performance coletiva, sugerindo que a capacidade emocional do grupo como um todo pode ser mais determinante do que as habilidades individuais isoladas (Crombie, Lombard e Noakes, 2009). Petrides, Niven e Mouskounti, em estudo com bailarinos britânicos, relataram correlação positiva entre o traço de inteligência emocional e as avaliações de habilidade em dança, indicando que o constructo transcende as fronteiras das modalidades esportivas tradicionais e se aplica a qualquer atividade que exija performance sob pressão (Petrides, Niven e Mouskounti, 2006). Zizzi, Deaner e Hirschhorn, pesquisando jogadores de beisebol norte-americanos, encontraram que componentes da inteligência emocional apresentavam correlação moderada com o desempenho no arremesso, embora não se relacionassem signif**ativamente com o desempenho no bastão, evidenciando a especificidade das relações entre inteligência emocional e diferentes habilidades motoras (Zizzi, Deaner e Hirschhorn, 2003).
2.2 Maturidade Emocional e Desenvolvimento Neuropsicológico na Adolescência
A maturidade emocional, conceito intimamente relacionado à inteligência emocional mas com ênfase no desenvolvimento ao longo do tempo, refere-se ao grau em que um indivíduo é capaz de compreender, expressar e regular suas emoções de maneira adaptativa às demandas do ambiente. Na adolescência, esse constructo adquire relevância particular devido aos intensos processos de remodelagem neurobiológica que caracterizam essa fase do desenvolvimento humano. O córtex pré-frontal, estrutura cerebral responsável pelas funções executivas, planejamento, tomada de decisão, controle inibitório e regulagem emocional, inicia seu desenvolvimento acelerado na puberdade, mas só alcança a maturidade plena por volta dos vinte e cinco anos de idade. Em contrapartida, o sistema límbico, particularmente a amígdala e o núcleo accumbens, que medeiam as respostas emocionais, de recompensa e de motivação, já se encontram bastante desenvolvidos no início da adolescência.
Esse descompasso neuroanatômico, frequentemente denominado de desequilíbrio sistema límbico-córtex pré-frontal, explica muitas das características comportamentais típicas da adolescência, incluindo a busca intensa por sensações, a tomada de riscos, a reatividade emocional elevada e a dificuldade de planejamento de longo prazo. No contexto esportivo competitivo, esse perfil neurobiológico pode manifestar-se como dificuldade de manter a calma após um erro, tendência à reação impulsiva diante de provocações adversárias, dificuldade de concentrar-se após uma sequência de pontos perdidos e vulnerabilidade aumentada à ansiedade pré-competitiva. Esses fatores, combinados com a pressão exercida por treinadores, pais, colegas e a própria expectativa do atleta, criam um cenário propício à manifestação de comportamentos emocionalmente imaturos que comprometem diretamente a performance.
A neuropercepção, termo que designa a capacidade do sistema nervoso de processar, interpretar e dar signif**ado aos estímulos sensoriais do ambiente, desempenha papel fundamental na medição entre o estado emocional do atleta e sua performance motora. No vôlei, a neuropercepção envolve a capacidade de processar visualmente a trajetória da bola, a posição dos adversários e dos companheiros de equipe, as informações tácticas transmitidas pelo treinador e as emoções próprias e alheias, tudo em frações de segundo. Quando o atleta está em estado emocional desregulado, a neuropercepção se torna distorcida: a atenção seletiva se concentra em ameaças imaginárias ou reais, a memória de trabalho f**a comprometida, a tomada de decisão torna-se mais lenta e menos precisa, e a coordenação motora sofre interferências signif**ativas.
Hanin, em capítulo do Handbook of Sport Psychology, argumentou que as emoções no esporte constituem fenômeno multifacetado, influenciado por fatores individuais, situacionais e relacionais, e que a compreensão adequada dessas emoções é essencial para o desenvolvimento de intervenções psicológicas ef**azes (Hanin, 2012). Lazarus, em artigo clássico publicado no Sport Psychologist, demonstrou como as emoções influenciam a performance em esportes competitivos, propondo que a avaliação cognitiva da situação determina a natureza e intensidade da resposta emocional, que por sua vez afeta a performance através de mecanismos motivacionais, atencionais e energéticos (Lazarus, 2000). Esses modelos teóricos fornecem o arcabouço conceitual para compreender como a imaturidade emocional, ao distorcer os processos de avaliação cognitiva e regulagem emocional, pode gerar respostas desadaptativas que se traduzem em baixa performance esportiva.
2.3 Regulagem Emocional e Estratégias de Coping em Jovens Atletas
A regulagem emocional, em inglês emotion regulation, refere-se aos processos através dos quais os indivíduos influenciam quais emoções sentem, quando as sentem e como as experimentam e expressam. Gross, pesquisador pioneiro nesse campo, propôs um modelo processual que distingue entre estratégias antecipatórias, que atuam antes da resposta emocional completa se instalar, e estratégias de resposta, que atuam após a emoção já ter sido gerada. Entre as estratégias antecipatórias, destaca-se a reavaliação cognitiva, que consiste em alterar o signif**ado de uma situação de maneira a modif**ar seu impacto emocional. Entre as estratégias de resposta, a supressão expressiva, que envolve a inibição das manifestações comportamentais da emoção, é uma das mais estudadas, embora também uma das menos adaptativas a longo prazo.
Pesquisas recentes têm demonstrado que a escolha das estratégias de regulagem emocional tem implicações signif**ativas para a saúde mental e a performance de atletas jovens. Um estudo publicado em 2023 na Frontiers in Psychology investigou a relação entre regulagem emocional e saúde mental em jovens atletas de elite, encontrando que a supressão expressiva de emoções estava positivamente associada a problemas de saúde mental, enquanto a reavaliação cognitiva apresentava associação negativa. Os resultados indicaram que, para cada aumento unitário na supressão expressiva, os problemas de saúde mental aumentavam em 0,35 unidades, enquanto para cada aumento unitário na reavaliação cognitiva, os problemas de saúde mental diminuíam em 0,33 unidades. Adicionalmente, o gênero e o tipo de esporte apresentaram efeitos signif**ativos, com atletas do s**o feminino e de esportes individuais apresentando maiores índices de problemas de saúde mental (Frontiers in Psychology, 2023).
Esses achados são particularmente relevantes para o vôlei, modalidade coletiva que exige constante comunicação emocional entre os membros da equipe. A supressão expressiva, ao inibir a comunicação não verbal das emoções, pode comprometer a coesão grupal e a capacidade dos companheiros de perceberem o estado emocional uns dos outros, dificultando a coordenação tática. Por outro lado, a reavaliação cognitiva, ao permitir que o atleta reinterprete um erro como oportunidade de aprendizado em vez de fracasso pessoal, promove uma postura mais resiliente e adaptativa diante dos desafios competitivos.
As estratégias de coping, termo que designa os esforços cognitivos e comportamentais desenvolvidos para gerenciar demandas específ**as externas ou internas que são avaliadas como excedentes ou esgotantes dos recursos do indivíduo, constituem outro constructo central para a compreensão da relação entre imaturidade emocional e performance esportiva. Nicholls, Polman e Levy, em estudo publicado no Psychology of Sport and Exercise, conduziram uma análise de trajetória envolvendo avaliações de estresse, emoções, coping e satisfação com a performance entre atletas, encontrando que as estratégias de coping orientadas ao problema estavam associadas a avaliações de estresse mais positivas e a maiores níveis de satisfação com a performance, enquanto as estratégias orientadas à emoção tendiam a perpetuar ciclos de ansiedade e insatisfação (Nicholls, Polman e Levy, 2012).
Kaaviyadharshana e Mishra, em revisão sistemática publicada em 2025 no International Journal of Physical Education, Sports and Health, analisaram cinco estudos sobre inteligência emocional e estratégias de coping em atletas, concluindo que a inteligência emocional influencia positivamente as estratégias de coping, especialmente durante partidas e situações estressantes. Os autores identif**aram que atletas com maior inteligência emocional tendem a utilizar estratégias de coping orientadas ao problema e adaptativas, enquanto a relação entre inteligência emocional e estratégias de coping de evitação varia conforme o gênero, o tipo de esporte e o nível de performance, com atletas não elite e jovens apresentando diferentes tendências de coping baseadas nos subcomponentes da inteligência emocional (Kaaviyadharshana e Mishra, 2025). No contexto do vôlei de base, essas diferenças individuais exigem abordagens personalizadas de intervenção psicológica, que considerem o perfil emocional específico de cada atleta.
2.4 Impulsividade e Tomada de Decisão em Atletas de Vôlei
A impulsividade, conceito que designa a tendência a agir rapidamente e sem reflexão prévia adequada, constituindo-se em padrão de resposta caracterizado pela dificuldade de inibição de respostas inadequadas, representa outra dimensão crítica da imaturidade emocional no contexto esportivo. No vôlei, a impulsividade pode se manifestar de múltiplas formas: na execução de ataques precipitados sem considerar a posição dos bloqueadores adversários, na realização de saques arriscados em momentos de pressão, na reação verbal descontrolada diante de uma marcação arbitral controversa ou na dificuldade de aguardar a oportunidade adequada para a execução de uma jogada tática.
Um estudo publicado em 2023 na Frontiers in Psychology investigou os efeitos da regulagem emocional e da impulsividade sobre a performance esportiva em atletas de vôlei espanhóis, revelando diferenças signif**ativas conforme o gênero e o nível competitivo. Os resultados indicaram que as jogadoras do s**o feminino apresentavam maior impulsividade sob emoções negativas, denominada urgency negativa, do que seus pares masculinos, sugerindo que as atletas tendem a reagir mais impulsivamente em condições adversas. Adicionalmente, jogadores da segunda divisão apresentaram maior busca por sensações do que os atletas da primeira divisão, indicando que níveis mais elevados de impulsividade podem estar associados a menor maturidade competitiva. Os autores concluíram que valores mais elevados em urgency negativa e busca por sensações representam maiores taxas de erro no geral, evidenciando o impacto direto da impulsividade sobre a performance técnica (Frontiers in Psychology, 2023).
Esses achados têm implicações práticas signif**ativas para o treinamento de jovens atletas de vôlei. A identif**ação dos momentos críticos em que a impulsividade tende a se manifestar permite que os treinadores utilizem ferramentas adequadas de gestão do jogo, como tempos técnicos e substituições estratégicas. Além disso, a redução da pressão emocional sobre os atletas, mediante a desdramatização da importância da situação de jogo e a transmissão de confiança em suas habilidades, pode mitigar os efeitos negativos da impulsividade. Como recurso final, a reorientação do foco atencional do atleta, afastando-o do estado emocional e direcionando-o para o plano de jogo, pode ser particularmente ef**az para atletas do s**o feminino, que parecem mais vulneráveis à impulsividade emocional, embora a intervenção também seja necessária para atletas masculinos.
A tomada de decisão no vôlei, processo cognitivo complexo que envolve a avaliação de múltiplas variáveis em tempo real, está intrinsecamente ligada aos processos emocionais do atleta. Quando o atleta experimenta emoções intensas, particularmente emoções negativas como ansiedade, frustração ou raiva, a capacidade de processamento de informações se torna comprometida. A atenção se estreita, focalizando-se em ameaças reais ou imaginárias em detrimento da percepção de oportunidades. A memória de trabalho, responsável pela manutenção temporária e manipulação de informações relevantes para a tarefa em curso, f**a sobrecarregada pelos conteúdos emocionais, reduzindo sua capacidade de reter informações táticas. A flexibilidade cognitiva, que permite a adaptação rápida a novas situações, diminui, favorecendo respostas estereotipadas e previsíveis.
2.5 O Vôlei como Ambiente de Desenvolvimento Socioemocional
Apesar dos desafios impostos pela imaturidade emocional, a prática do vôlei nas categorias de base oferece um ambiente excepcionalmente rico para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A natureza coletiva da modalidade, em que a vitória depende da coordenação precisa entre seis jogadores em quadra, exige o desenvolvimento de competências como empatia, comunicação assertiva, confiança interpessoal e resiliência coletiva. Cada rally representa uma microsituação de aprendizado, na qual os atletas precisam alternar rapidamente entre papéis de liderança e seguimento, de agressividade e contenção, de celebração e autocrítica.
Alessandra Weiss Ferraz, em estudo sobre voleibol na adolescência e desenvolvimento do autodomínio emocional, demonstrou que a atividade esportiva favorece a liberação de tensões e emoções em ambiente controlado, permitindo que as jovens atletas utilizem o lazer e o esporte como meios de equilíbrio social de forma intuitiva, mesmo sem conhecimento prévio da psicologia e da neuropsicologia. É a partir do uso de regras e da delimitação das condutas que as jogadoras aprendem a desenvolver mecanismos autorregulatórios, internalizando normas de comportamento que serão exigidas posteriormente na vida adulta (Weiss Ferraz, s.d.).
O desenvolvimento das habilidades socioemocionais a partir do voleibol ocorre em múltiplos níveis. Internamente, na equipe da atleta, a convivência diária com companheiros de diferentes personalidades, origens e estilos de jogo exige o desenvolvimento de habilidades de negociação, mediação de conflitos e cooperação. Externamente, a interação com adversários, arbitragem e torcida proporciona vivências de gestão de emoções em contextos de competição, cobrança e avaliação social. A coletividade, que se destaca como característica central do voleibol, confere à modalidade uma técnica singular e sofisticada, capaz de propiciar vivências profundas e complexas que ajudam a desenvolver habilidades inerentes à vida em sociedade.
Durante um rally, o atleta precisa assumir postura curiosa e concentrada ao analisar a equipe adversária, consciente ao tentar prever as próximas jogadas das oponentes. Em determinados momentos, exige-se coragem, assertividade e autocontrole para executar um ataque decisivo ou um saque crucial. Após a concretização do ponto, as demonstrações de confiança nas colegas de equipe, de acolhimento e empatia, reforçam os laços grupais e promovem um clima de confiança mútua. Tudo isso ocorre em questão de segundos, tanto nos treinos quanto nas partidas, criando um ambiente de aprendizado intensivo e contínuo.
Entretanto, o potencial do vôlei como ferramenta de desenvolvimento socioemocional nem sempre é plenamente aproveitado. A ausência de programas estruturados de intervenção psicológica, a ênfase excessiva nos resultados imediatos em detrimento do processo formativo e a pressão exercida por pais e treinadores podem transformar o ambiente esportivo em fonte de estresse crônico em vez de espaço de crescimento. Nesse contexto, a imaturidade emocional do atleta, em vez de ser trabalhada e desenvolvida, é frequentemente criminalizada, gerando um ciclo vicioso de baixa performance, frustração, perda de autoconfiança e eventual abandono do esporte.
2.6 Intervenções Psicológicas e Programas de Desenvolvimento Emocional
Diante do cenário descrito, torna-se imperativo o desenvolvimento de programas de intervenção psicológica específicos para atletas das categorias de base do vôlei, que integrem o desenvolvimento socioemocional aos objetivos técnicos-táticos do treinamento. Esses programas devem ser concebidos considerando as particularidades do desenvolvimento neuropsicológico da adolescência, as demandas específ**as da modalidade e as características individuais de cada atleta.
A mindfulness, termo em inglês que designa a prática de atenção plena e consciente ao momento presente, sem julgamento, tem emergido como uma das intervenções mais promissoras no contexto esportivo. Programas de treinamento em mindfulness podem aprimorar a capacidade do atleta de permanecer focado no presente, reduzindo a impulsividade em situações de alta pressão e promovendo uma relação mais equilibrada com as emoções. A visualização, técnica que consiste na criação mental de imagens vívidas de situações de jogo, pode auxiliar os atletas a gerenciarem a ansiedade pré-competitiva e a desenvolverem confiança em suas habilidades. O controle da respiração, através de técnicas de respiração diafragmática e ritmada, constitui ferramenta acessível e ef**az para a modulação do estado de ativação fisiológica em momentos de tensão.
Laborde e colaboradores, em capítulo sobre inteligência emocional no esporte e na atividade física com foco em intervenção, argumentaram que o treinamento em inteligência emocional pode ser uma ferramenta valiosa na prática da psicologia do esporte, destacando a necessidade de pesquisas adicionais sobre a validação de medidas, a diversidade cultural e a eficácia de diferentes protocolos de intervenção (Laborde, Mosley et al., 2018). A integração dessas práticas aos programas de treinamento de base do vôlei pode transformar a modalidade em um verdadeiro laboratório de desenvolvimento humano, no qual a formação do atleta transcende as fronteiras do técnico-tático para abranger a dimensão socioemocional.
A psicologia do esporte, enquanto área de atuação profissional, abrange a influência do esporte no indivíduo, o comportamento emocional dos atletas, o desenvolvimento de habilidades de autoconfiança e liderança, a adaptação social e o controle psicomotor do atleta. No contexto do alto rendimento, a identif**ação dos fatores estressores constitui o primeiro passo para a obtenção do autocontrole por parte dos atletas, de forma a não interferir negativamente no desempenho esportivo. As estratégias de coping, que visam psicoeducar e aperfeiçoar competências específ**as para que os atletas tenham respostas emocionais e comportamentais mais adaptativas diante das exigências esportivas, constituem eixo central da intervenção psicológica (Bredariol, Castanho, Reis e Fernandes, 2017).
O perfil psicológico do atleta de alto rendimento, embora apresente grande variabilidade individual, geralmente inclui a capacidade de enfrentar situações antes, durante e depois de treinos e competições, sentimento elevado de autoconfiança, manutenção do otimismo frente aos erros cometidos, determinação, persistência, disciplina e maior capacidade cognitiva. A motivação, que pode ser definida como um processo ativo intencional focado num objetivo, pode originar-se internamente, através da motivação intrínseca relacionada a questões pessoais, predisposições, interesse e sensação de prazer, ou externamente, através da motivação extrínseca, que depende do meio em que o indivíduo está inserido, como a expectativa da família e dos treinadores. A compreensão do conjunto de fatores motivacionais facilita o delineamento das metas almejadas, contribui para a elaboração dos treinos e permite aplicar estratégias para evitar o abandono precoce do esporte.
2.7 Neurociência e Funções Executivas no Desempenho Esportivo
As funções executivas, conjunto de processos cognitivos de ordem superior responsáveis pelo planejamento, organização, flexibilidade mental, memória de trabalho e controle inibitório, constituem alicerce neuropsicológico para a performance esportiva de alto nível. Pesquisas em neuropsicologia do esporte têm demonstrado que atletas de alto desempenho apresentam desenvolvimento superior de coordenação motora e funções executivas bem desenvolvidas, o que lhes permite tomar decisões rápidas e precisas em contextos de alta demanda cognitiva.
Um estudo realizado com atletas de alto desempenho das categorias de base de um grande clube brasileiro, envolvendo jovens de quatorze anos, alguns dos quais já integravam a seleção brasileira sub-quinze, investigou a relação entre funções executivas e inteligência. Os resultados revelaram que esses jovens atletas possuíam funções executivas superdesenvolvidas, mas apresentavam inteligência reduzida quando avaliados por te**es padronizados de quociente intelectual. Particularmente, os jovens demonstravam dificuldade com te**es relacionados à fluência verbal, possuindo vocabulário limitado para diversas áreas, embora a fluência para o futebol fosse excepcional, evidenciando a especificidade do desenvolvimento cognitivo no contexto esportivo (Brain Latam, 2019).
Esses achados ressaltam a importância de se considerar o desenvolvimento neuropsicológico específico dos atletas de base, reconhecendo que o domínio técnico-tático de uma modalidade esportiva pode coexistir com lacunas em outras áreas cognitivas e emocionais. A imaturidade emocional, nesse contexto, não deve ser interpretada como deficitária, mas como característica desenvolvimental que demanda intervenções direcionadas e oportunidades de aprendizado estruturadas. O investimento em programas que desenvolvam tanto as funções executivas quanto a inteligência emocional dos jovens atletas é essencial para a formação integral e para a sustentabilidade de suas carreiras esportivas.
2.8 Pressão Competitiva e Saúde Mental em Atletas Juvenis
A saúde mental dos atletas juvenis constitui tema de crescente preocupação no cenário esportivo contemporâneo. A pressão competitiva, as expectativas de pais e treinadores, a busca por resultados imediatos e a própria identif**ação do atleta com o papel de competidor criam um ambiente propício ao desenvolvimento de problemas psicológicos. A ansiedade, a depressão, o burnout e os transtornos alimentares são algumas das condições mais frequentemente reportadas na literatura científ**a, especialmente entre atletas de esportes individuais e de elite.
No contexto do vôlei de base, a pressão por resultados pode ser particularmente intensa devido à estrutura piramidal das categorias de formação, na qual apenas uma pequena parcela dos atletas alcança o nível profissional. Essa realidade gera um ambiente de competição feroz desde as categorias iniciantes, em que o medo de ser desligado do clube ou de perder a posição no time pode sobrepujar o prazer pela prática esportiva. A imaturidade emocional, ao dificultar a gestão dessas pressões, torna-se fator de risco signif**ativo para o desenvolvimento de problemas de saúde mental e para o abandono precoce do esporte.
A supressão expressiva de emoções, estratégia de regulagem emocional frequentemente reforçada no ambiente esportivo competitivo, em que o atleta é incentivado a não demonstrar fraqueza ou vulnerabilidade, apresenta efeitos deletérios para a saúde mental. Pesquisas indicam que a supressão crônica de emoções está associada a maiores níveis de ansiedade, depressão e insatisfação com a vida, além de comprometer a qualidade das relações interpessoais. No contexto do vôlei, onde a comunicação emocional entre os membros da equipe é essencial para a coordenação tática, a supressão expressiva pode gerar distanciamento interpessoal e redução da coesão grupal.
A promoção da saúde mental dos atletas juvenis de vôlei exige uma mudança de paradigma no modelo de formação esportiva, que transcenda a lógica puramente meritocrática e resultadista para incorporar uma visão humanista e desenvolvimental. Isso implica reconhecer o atleta como pessoa em desenvolvimento, com necessidades emocionais, sociais e educacionais que devem ser atendidas paralelamente às demandas técnicas-táticas. A inserção de psicólogos do esporte nas equipes de base, a formação de treinadores em competências socioemocionais e a implementação de programas de educação para pais são medidas essenciais nessa direção.
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3. Conclusão
O presente estudo demonstrou que a imaturidade emocional constitui fator determinante na performance esportiva de atletas das categorias de base do vôlei, operando através de múltiplos mecanismos neuropsicológicos, psicológicos e sociais. A análise da literatura científ**a contemporânea evidenciou que a inteligência emocional, compreendida como a capacidade de monitorar, discriminar e utilizar as emoções para guiar o pensamento e as ações, relaciona-se positivamente à performance atlética, enquanto a supressão expressiva de emoções e a dificuldade de reavaliação cognitiva emergem como preditores de baixa performance e problemas de saúde mental.
Os principais achados desta pesquisa podem ser sintetizados em quatro eixos fundamentais. Primeiramente, o desenvolvimento neuropsicológico da adolescência, particularmente o desequilíbrio entre o amadurecimento do sistema límbico e o desenvolvimento tardio do córtex pré-frontal, cria um cenário de vulnerabilidade emocional que se manifesta em respostas impulsivas, dificuldade de concentração e tomada de decisão comprometida sob pressão. Em segundo lugar, as estratégias de regulagem emocional adotadas pelos jovens atletas têm impacto direto sobre sua saúde mental e performance, sendo a reavaliação cognitiva associada a resultados mais adaptativos e a supressão expressiva a resultados mais desadaptativos. Em terceiro lugar, o vôlei, por sua natureza coletiva e dinâmica, oferece um ambiente propício ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, contudo, esse potencial nem sempre é plenamente aproveitado devido à ênfase excessiva em resultados imediatos e à ausência de programas estruturados de intervenção psicológica. Em quarto lugar, a impulsividade, particularmente a urgency negativa, constitui variável signif**ativa na predição de erros técnicos e na diferenciação de performance entre atletas de diferentes níveis competitivos.
A interpretação crítica desses resultados aponta para a necessidade de uma mudança paradigmática na formação de atletas de vôlei nas categorias de base. O modelo tradicional, centrado exclusivamente no desenvolvimento técnico-tático e físico, mostra-se insuficiente para atender às demandas complexas do esporte contemporâneo e para promover a saúde mental e o bem-estar dos jovens atletas. A integração de programas de desenvolvimento socioemocional aos treinamentos técnicos-táticos não representa luxo ou supérfluo, mas necessidade imperativa para a sustentabilidade das carreiras esportivas e para a formação de cidadãos resilientes e equilibrados.
As aplicações práticas deste estudo são múltiplas e abrangem diferentes níveis de intervenção. Para treinadores, recomenda-se a incorporação de técnicas de mindfulness, visualização e controle da respiração aos programas de treinamento, bem como a adoção de uma postura comunicativa que promova a reavaliação cognitiva em vez da supressão emocional. Para gestores de clubes e federações, sugere-se a contratação de psicólogos do esporte para as categorias de base, a implementação de programas de educação para pais e a revisão dos critérios de avaliação de atletas para incluir dimensões socioemocionais. Para pesquisadores, indica-se a realização de estudos longitudinais que acompanhem o desenvolvimento emocional de atletas de base ao longo de suas carreiras, investigando as trajetórias de sucesso e abandono sob a ótica da maturidade emocional.
As implicações teóricas desta pesquisa contribuem para a consolidação do campo da psicologia do esporte no Brasil, integrando conhecimentos da neurociência, da psicologia do desenvolvimento e da psicologia do esporte em um framework coerente para a compreensão da performance esportiva juvenil. A noção de que a imaturidade emocional não é deficit a ser corrigido, mas característica desenvolvimental a ser trabalhada, oferece uma perspectiva mais humanizada e ef**az para a intervenção psicológica no esporte.
As recomendações para pesquisas futuras incluem: a realização de estudos experimentais que testem a eficácia de diferentes protocolos de intervenção em inteligência emocional para atletas de vôlei de base; investigações sobre as diferenças culturais na manifestação e regulagem emocional de atletas juvenis em diferentes contextos nacionais; pesquisas sobre o papel da inteligência emocional dos treinadores na modulação do clima emocional da equipe e no desenvolvimento emocional dos atletas; e estudos neuroimagem que examinem as bases neurais da regulagem emocional em atletas jovens antes e após intervenções psicológicas estruturadas.
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